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Publicado em 14/02/2018

Você sabe a diferença entre perigo e risco de trabalho?


Atualizado em 25/05/2020

 

Perigo e risco de trabalho são dois conceitos presentes na vida de um técnico de segurança, principalmente, os que atuam no setor industrial. Contudo, eles ainda geram confusão entre os profissionais. Afinal, como determinar corretamente uma situação dentro da empresa?

É comum ter dúvidas na hora de identificar quais casos são de risco ou de perigo. Para ajudá-lo a diferenciar os termos e desenvolver um ambiente mais seguro na sua empresa, preparamos este post. Confira!

O que é perigo de trabalho?

Existem várias definições para perigo de trabalho. A mais simples e objetiva é: perigo é tudo aquilo que tem potencial de causar uma perda ou fatalidade. Sendo assim, qualquer situação pode apresentar um perigo. Por exemplo, dirigir sem carteira de motorista, um piso escorregadio, uma tempestade, uma área energizada, um produto químico. O conceito é bastante subjetivo, por isso, é fácil confundi-lo.

Dentro de uma empresa, o que pode ser um perigo? Imagine uma empilhadeira, equipamento utilizado para movimentar paletes e transportar cargas. Ela ligada e sendo conduzida por um operador não habilitado é um perigo para a empresa, pois pode causar um acidente.

O que é risco de trabalho?

A definição de risco de trabalho é a probabilidade de algo acontecer em determinado evento ou local potencialmente perigoso, gerando consequências aos envolvidos. Ou seja, é quando a pessoa é exposta ao perigo. O risco ainda pode ser aferido tanto qualitativamente quanto quantitativamente.

Retomando os exemplos citados, no caso de um piso escorregadio, o risco dessa condição é de queda e ferimentos. Já se uma pessoa dirige sem carteira de motorista, o risco é atropelar alguém ou bater em outro veículo. Ao sair em uma tempestade, o indivíduo corre o risco de ser atingido por um raio.

Lembra da empilhadeira dentro da indústria? O risco dela ser dirigida por um funcionário inexperiente ou sem habilitação é causar danos materiais, ao bater em uma pilastra, por exemplo. Dessa forma, podemos afirmar que o risco só acontece após o indivíduo ser apresentado ao perigo.

Por que é importante entender a diferença entre risco e perigo?

Simples! Como o risco pode ser previsto, minimizado e até eliminado dentro da empresa, saber o seu conceito faz toda diferença para a atividade de um técnico de segurança. Sabendo identificar uma situação de perigo, ele consegue avaliar quais riscos podem ser causados e tomar medidas para evitá-los.

Além disso, ele consegue classificar com precisão nos relatórios qual o acontecimento ocorrido, que pode ser um:

  • incidente: evento não planejado que não resultou em lesão, doença ou dano, mas tinha o potencial de fazê-lo. Pode ser denominado de "quase acidente";
  • acidente: o que é casual, fortuito, imprevisto.

Registrando esses dados, o técnico em segurança do trabalho pode estabelecer medidas proativas e melhorar a rotina laboral dos empregados.

Como a empresa pode ter um ambiente com mais segurança para a sua equipe?

Colocar em prática todos os conceitos e implementar uma política mais segura é possível aplicando metodologias. As mais usadas no setor industrial são: a Análise Preliminar de Risco (APR), o Diálogo Diário de Segurança (DDS) e o Estudo de Perigo e Operabilidade ou Hazard and Operability Studies (Hazop). Abaixo, explicamos cada uma delas.

Análise Preliminar de Risco

A APR é uma norma obrigatória com o objetivo de:

  • descrever e caracterizar os riscos;
  • controlar e prevenir;
  • parametrizar falhas humanas em situações cotidianas, emergenciais e de manutenção.

Embora tenha o mesmo princípio para qualquer empresa, cada uma utilizará a análise conforme as suas necessidades. Por exemplo, a matriz de risco é diferente para uma indústria que usa equipamentos de solda e outra que trabalha com empilhadeiras.

Diálogo Diário de Segurança

Realizado todos os dias antes do início das atividades laborais, tem o intuito de despertar nos trabalhadores a importância de realizar uma atividade segura. Geralmente, a reunião dura entre 5 e 15 minutos.

Hazop

Essa metodologia deve ser aplicada pelo grupo do SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) e pode ser feita em seis partes:

  • identificação das causas perigo e risco de trabalho, determinando cada uma delas;
  • verificação das consequências dessas situações;
  • realização de um levantamento do histórico de casos semelhantes;
  • definição de medidas para evitar que os eventos ocorram;
  • criação de recomendações claras e objetivas para a redução do risco;
  • elaboração de relatório para concluir o processo.

Todas as metodologias são complementares entre si e precisam ser aplicadas se a sua empresa quiser operar com segurança. Além disso, é necessário consultar a NR4, Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que estabelece critérios para organização do SESMT, caso a empresa seja de grande porte.

Para empresas menores, é importante seguir a NR5 ou Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), que também é uma Norma Regulamentadora definida pelo MTE para prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho.

Uso de EPIs: qual a sua relação em situações de perigo e risco?

Além de seguir as normas regulamentadoras citadas, o técnico de segurança do trabalho precisa estar atento à NR6. Ela determina e específica o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) em situações de risco.

Os EPIs têm como função principal proteger os colaboradores durante as atividades industriais que podem causar algum dano. Para cada tipo de trabalho existe a recomendação de um item de segurança. Em caso de trabalho em altura, por exemplo, o cinto e o capacete são equipamentos necessários. Eles ajudam a evitar quedas e no amortecimento do impacto, caso ocorra algum acidente.

A vestimenta adequada, por exemplo, é um EPI voltado para um tipo de situação de risco. Imagine quem trabalha no açougue e precisa entrar em câmeras frias. Estar vestido com a roupa adequada protege contra a temperatura, dando conforto térmico ao colaborador.

As luvas são mais um EPI importante em situações de risco. Ainda mais em atividades nas quais o trabalhador tem contato com agentes mecânicos, biológicos e químicos. Elas ajudam a minimizar abrasão, corte, rasgamento e perfuração nos membros superiores. Além disso, as luvas podem ajudar a amortecer o impacto das mãos em tarefas com muitas vibrações, como operar uma britadeira.

Os tipos de EPIs usados variam de acordo com a atividade exercida, riscos que ela pode gerar à saúde do trabalhador e parte do corpo a ser protegida. Entenda um pouco mais sobre eles!

EPIs de proteção para a cabeça

  • capacete aba frontal com viseira: utilizado para proteger a cabeça e o rosto dos colaboradores sujeitos a lançamentos de partículas;
  • capacete aba frontal e aba total: usados com o intuito de proteger a cabeça dos funcionários contra impactos provocados em projeção de objetos e quedas.

EPIs de proteção para olhos e face

  • óculos de segurança: utilizado para proteger os olhos em locais que propiciam riscos de partículas projetadas, impactos mecânicos e raios ultravioletas.

EPIs de proteção dos membros superiores

  • luva em PVC: protege as mãos e punhos que tenham contato com graxa, óleo, solvente e demais;
  • luva isolante de borracha: protege as mãos e braços contra choques nos locais onde o funcionário tem contato direto com circuitos elétricos com energia;
  • luva em borracha nitrílica: protege as mãos e punhos contra produtos biológicos e químicos.

EPIs de proteção dos membros inferiores

  • botas de couro: protegem pés e pernas contra escoriações, torções, animais peçonhentos etc;
  • botas de borracha: protegem os pés e pernas de eventuais derrapagens e contato com produtos químicos.

Equipamentos de proteção coletiva

São os itens usados no ambiente laboral para proteger os empregados de possíveis riscos, como sinalização de segurança, isolamento acústico de fontes de ruído, ventilação dos locais de trabalho e demais.

Identificar os EPIs mais utilizados é essencial para que a escolha mais correta seja realizada, tendo em vista que todo o processo de fabricação dos itens é desenvolvido com base em diversas análises sobre os efeitos prejudiciais e a melhor estratégia para se proteger contra eles. Para ajudar nessa atividade, as indicações proporcionadas pelo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) devem ser observadas com cuidado.

Quais são os deveres da empresa e do empregado?

Entre as principais obrigações da empresa quanto ao EPI estão:

  • disponibilizar, de forma gratuita e em perfeito estado de conservação, os equipamentos necessários de acordo com os riscos das tarefas desenvolvidas por cada trabalhador, certificado e aprovado por um órgão competente;
  • realizar a higienização, manutenção e a troca periódica dos equipamentos;
  • proporcionar todo treinamento adequado sobre a utilização, guarda e conservação exata dos EPIs.

Em relação ao trabalhador, sua responsabilidade é:

  • utilizar o EPI de maneira correta;
  • guardar e conservar os itens adequadamente;
  • informar a respeito de qualquer anormalidade que encontrar no EPI.

Deixar de cumprir qualquer uma das responsabilidades pode gerar várias consequências. Por exemplo, para as empresas as principais são pagamento de multas, indenização ou suspensão das atividades. Já para o colaborador, a mais comum é a demissão por justa causa devido à falta de uso dos itens disponibilizados pelo empregador.

Agora que você já sabe o que é perigo e risco de trabalho, é necessário ter em mente a importância de implementar todos os cuidados necessários para garantir um ambiente de trabalho saudável para a equipe, evitando eventuais problemas para a empresa e impactos negativos na vida dos colaboradores.

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